Rede de Atenção à Pessoa Indígena Instituto de Psicologia Departamento de Psicologia Experimental
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23/03/2026

Psicologia indígena no Congresso Internacional Mundos Indígenas

Danilo Silva Guimarães e Paula Rasia Lira (Universidade de São Paulo), Gabriela Andrade da Silva (Universidade Federal do SUl da Bahia) e Halysson Fonseca (Universidade do Estado da Bahia)

Atividade em sala de aula da Universidade Estadual da Bahia.

Atividade em sala de aula da Universidade Estadual da Bahia. Foto: Gabriela Andrade da Silva.

Entre os dias 25 e 28 de fevereiro de 2026 integrantes da Rede Indígena da USP, Danilo Silva Guimarães (docente do IPUSP) e Paula Rasia Lira (Especialista em Laboratório), participaram do VI Congresso Internacional Mundos Indígenas, com o tema Histórias, Territorialidades e Saberes Indígenas. O evento aconteceu na Universidade do Estado da Bahia, Campus I, na cidade de Salvador/BA.

A participação da Rede Indígena envolveu a promoção de um minicurso de Introdução à Psicologia Indígena e a contribuição na organização do simpósio temático Encruzilhada Ancestral: História, Memória, Identidade e Resistência Indígena no Extremo Sul da Bahia, em conjunto com a professora Gabriela Andrade da Silva da Universidade Federal do Sul da Bahia e o professor Halysson Fonseca da Universidade do Estado da Bahia, Campus X.

O minicurso aconteceu ao longo de três manhãs e foi estruturado a partir das experiências da Rede Indígena ao longo de 15 anos de trabalho. As cadeiras foram organizadas em círculo, a atividade foi aberta com um canto mborai que aprendido no convívio com as comunidades Mbyá Guarani de São Paulo. Em seguida foi proposta uma breve apresentação das pessoas participantes e a fala dos ministrantes contextualizando três noções fundamentais da proposta de psicologia indígena em foco: o cuidado, a saúde e o bem-viver.

A atividade se desdobrou ao longo do primeiro e segundo dia de minicurso com a exposição do percurso histórico de atividades da Rede Indígena da USP, abrindo espaços para a interação e diálogo com as pessoas participantes. No terceiro dia, tratamos de pensar o futuro da psicologia indígena, tendo em vista uma contextualização histórica mais ampla da psicologia e da psicologia indígena no cenário mundial.

Os diálogos suscitados com as pessoas que participaram da atividade foram muito significativos na direção de propiciar o aprofundamento de parcerias em construção entre docentes da Universidade Federal do Sul da Bahia, da Universidade Federal da Bahia e da Universidade do Estado da Bahia. A presença de indígenas profissionais da psicologia e estudantes nos chamou a atenção para potenciais convergências entre a experiência situada da Rede e as múltiplas territorialidades dos povos e comunidades indígenas.

No âmbito do Simpósio Temático, tivemos a oportunidade de entrar em contato com projetos de estudantes indígenas que ocupam o espaço acadêmico para fortalecer a luta pela vida de suas comunidades. Experiências de educadores pertencentes a comunidades Tupinambá e Pataxó foram destacadas, em um momento em que as comunidades vêm sofrendo com a ação violenta de invasores de seus territórios, mas também em um momento de conquistas de direitos e fortalecimento da educação indígena aliada à educação escolar que acontece nas comunidades.

Na exposição que fizemos como uma das contribuições ao simpósio, destacamos a necessidade de fazer revisões semânticas nos termos: Extremo Sul da Bahia, História, Memória, Identidade e Resistência. Essas revisões visam contemplar as concepções e as experiências indígenas, dado que os nomes dados pelo colonizador muitas vezes não são coerentes com as formas indígenas de sentir e pensar sua territorialidade e temporalidade. Devemos utilizar ou abandonar estes termos? Que novos sentidos eles assumem em nosso contexto de vida e luta?

Também participaram do Simpósio Temático os estudantes de graduação Leonardo Conceição de Jesus (medicina) e Gabriel Freitas Ferreira Santana (psicologia), da Universidade Federal do Sul da Bahia. Eles relataram o andamento do projeto “Tokmã kahab: conectando povos e tecendo saberes para o bem viver no Extremo-Sul da Bahia”, do qual participam como bolsistas orientados pela professora Gabriela Andrade da Silva. Esse projeto ocorre no âmbito do Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para Discentes na Área da Saúde, o AFIRMASUS, do Ministério da Saúde.

O grupo AFIRMASUS da UFSB está desenvolvendo ações de ensino, pesquisa, extensão e cultura voltadas para povos e comunidades tradicionais. Dentre elas, estão previstos atendimentos psicológicos e outras ações envolvendo Práticas Integrativas e Complementares de Saúde (PICS), tendo como público alvo pessoas indígenas, incluindo estudantes dos cursos de Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena (LICEEI) e Pedagogia Intercultural em Educação Escolar Indígena (PIEEI) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Assim, as duas universidades trabalharão em conjunto pela saúde, educação e bem-viver no Extremo Sul da Bahia.

No segundo dia do Simpósio Temático pudemos contar com a presença da professora Maria Hilda Barqueiro Paraíso, uma das principais referências na historiografia sobre a história indígena no Brasil e da Bahia. A sua presença foi reconhecida pelas lideranças indígenas presentes que retribuíram, ao final do evento, com cânticos de agradecimento e fortalecimento de sua trajetória.

A participação no evento contou com apoio do CNPq (Processo número: 306149/2023-0) e da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo direcionado ao serviço Rede de Atenção à Pessoa Indígena.