{"id":1407,"date":"2022-03-17T18:13:46","date_gmt":"2022-03-17T21:13:46","guid":{"rendered":"https:\/\/redeindigena.ip.usp.br\/?page_id=1407"},"modified":"2025-01-27T12:42:15","modified_gmt":"2025-01-27T15:42:15","slug":"anpiqp","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/redeindigena.ip.usp.br\/en\/acoes\/anpiqp\/","title":{"rendered":"Associa\u00e7\u00e3o N\u00f4made de Psicologia Ind\u00edgena e Quilombola de Pindorama"},"content":{"rendered":"<p><strong>ASSOCIA\u00c7\u00c3O N\u00d4MADE DE PSICOLOGIA IND\u00cdGENA E QUILOMBOLA DE PINDORAMA (ANPIQP)<\/strong><\/p>\n<p><strong>CARTA MANIFESTO<\/strong><\/p>\n<p>Somos uma associa\u00e7\u00e3o de psic\u00f3logas(os) que se orientam pelos fundamentos socioculturais ind\u00edgenas e quilombolas na pr\u00e1tica psicol\u00f3gica, reconhecendo a import\u00e2ncia da espiritualidade e da ancestralidade, enquanto dimens\u00f5es fundamentais na constitui\u00e7\u00e3o da pessoa, devendo ser levadas em considera\u00e7\u00e3o na atua\u00e7\u00e3o da(o) psic\u00f3loga(o).<br \/>\nA partir da necessidade de se fazer Psicologia, tanto em seus aspectos pr\u00e1ticos quanto te\u00f3ricos, de maneira sens\u00edvel \u00e0s especificidades das tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e quilombolas deste territ\u00f3rio, a Associa\u00e7\u00e3o N\u00f4made de Psicologia Ind\u00edgena e Quilombola de Pindorama (ANPIQP) nasce justamente no contexto da consulta p\u00fablica do CREPOP \u00e0 categoria sobre as Refer\u00eancias T\u00e9cnicas para atua\u00e7\u00e3o de psic\u00f3logas(os) junto aos Povos Ind\u00edgenas. Trata-se de um documento muito relevante que vem a p\u00fablico para atender a uma demanda de um processo de inclus\u00e3o \u00e9tnica nos fazeres da Psicologia Brasileira. Esperamos tamb\u00e9m que muito em breve venha a p\u00fablico as Refer\u00eancias T\u00e9cnicas para atua\u00e7\u00e3o de psic\u00f3logas(os) junto aos Quilombolas, documento t\u00e3o necess\u00e1rio e urgente \u00e0 categoria e a essa popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCom rela\u00e7\u00e3o ao documento que passou por consulta p\u00fablica, relativo \u00e0s Refer\u00eancias T\u00e9cnicas para atua\u00e7\u00e3o de psic\u00f3logas(os) junto aos Povos Ind\u00edgenas, destacamos a necessidade de enfatizar a quest\u00e3o da espiritualidade e ancestralidade dos povos ind\u00edgenas, ainda t\u00e3o questionada e alvo de preconceitos, bem como a quest\u00e3o da identidade ind\u00edgena, em todos os contextos, que tamb\u00e9m \u00e9 alvo de questionamentos quando da nossa presen\u00e7a nos contextos urbanos, acad\u00eamicos e profissionais. Entendemos que a ci\u00eancia ainda n\u00e3o est\u00e1 pronta o suficiente para apoiar os povos ind\u00edgenas. H\u00e1 muito a construir na dire\u00e7\u00e3o de respeitar os corpos, esp\u00edritos e territ\u00f3rios dos povos origin\u00e1rios.<br \/>\nRessaltamos a necessidade de que os ind\u00edgenas participem ativamente da Pol\u00edtica P\u00fablica de Sa\u00fade e das demais pol\u00edticas p\u00fablicas (Educa\u00e7\u00e3o, Assist\u00eancia Social, Territ\u00f3rio, Moradia etc.), como sujeitos de direitos e conhecimentos importantes, que levam em conta corpo e temporalidade ancestrais, envolvimento com o territ\u00f3rio e com todos os seres que nele habitam. No \u00e2mbito da Pol\u00edtica P\u00fablica de Sa\u00fade, \u00e9 fundamental a contrata\u00e7\u00e3o de psic\u00f3loga(o)s ind\u00edgenas para atuarem em suas comunidades, questionando a medicaliza\u00e7\u00e3o generalizada, a qual ignora a espiritualidade e a ancestralidade como caminhos em dire\u00e7\u00e3o ao modo de viver tradicional com sa\u00fade integral.<br \/>\nA sociedade continua vendo os ind\u00edgenas, predominantemente, de maneira romantizada e idealizada. No entanto, nossos rios est\u00e3o sendo envenenados, nossas aldeias e florestas est\u00e3o sendo queimadas, nossos parentes est\u00e3o sendo mortos pelo garimpo, pelo agrohidroneg\u00f3cio, pelos mega-projetos a servi\u00e7o do capital. Afirmamos a necessidade de que a Psicologia atente-se para o ind\u00edgena em sua integralidade, refletindo sobre seu papel na sociedade, explicitando para quem a Psicologia dirige seus conhecimentos e atua\u00e7\u00e3o profissional.<br \/>\n\u00c9 important\u00edssimo que a Psicologia aproxime-se dos povos ind\u00edgenas. Todavia, tal aproxima\u00e7\u00e3o deve ter como objetivo apoi\u00e1-los em sua causa ao inv\u00e9s de tutel\u00e1-los, como historicamente tem sido realizado por pr\u00e1ticas coloniais e neocoloniais. Pensamos que a Psicologia deve atuar para contribuir com a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica dos povos origin\u00e1rios neste territ\u00f3rio de Pindorama.<br \/>\nReconhecemos que o documento do CREPOP \u00e9 um marco de constru\u00e7\u00e3o inclusiva, pelo fato de haver tr\u00eas ind\u00edgenas escrevendo estas refer\u00eancias t\u00e9cnicas. \u00c9 o olhar ind\u00edgena que est\u00e1 sendo veiculado no documento.<br \/>\nA ANPIQP \u00e9 composta por psic\u00f3loga(o)s ind\u00edgenas e quilombolas, bem como por psic\u00f3logas(o)s que atuam junto aos povos ind\u00edgenas e quilombolas, al\u00e9m de conselheiros(as), os quais s\u00e3o anci\u00e3(o)s e guardi\u00e3(\u00f5e)s das sabedorias milenares ind\u00edgenas e\/ou afro-diasp\u00f3ricas, tendo muito a contribuir com uma Psicologia diferenciada na perspectiva \u00e9tnico-cultural e \u00e9tnico-racial. Consideramos que a forma\u00e7\u00e3o em Psicologia deve levar em conta e fomentar o envolvimento de estudantes com esses conhecimentos e sabedorias.<br \/>\nCongregamos psic\u00f3logas(os) de diversas regi\u00f5es do territ\u00f3rio de Pindorama &#8211; nome dado por seus povos origin\u00e1rios ao territ\u00f3rio que hoje, em virtude dos processos de coloniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 convencionalmente chamado de Brasil.<br \/>\nReconhecemo-nos enquanto uma associa\u00e7\u00e3o n\u00f4made de psic\u00f3logas(os), fundamentados em concep\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e\/ou afro-diasp\u00f3ricas de territ\u00f3rio, que entende que a T\/terra \u00e9 uma s\u00f3 e deve ser para todas(os), n\u00e3o podendo ser objetificada enquanto uma propriedade a ser esquadrinhada e recortada em fronteiras de Estado-na\u00e7\u00e3o, recusando assim as usuais categorias que reproduzem valores coloniais em suas concep\u00e7\u00f5es de territorialidade.<br \/>\nUma associa\u00e7\u00e3o em Psicologia que se reconhece n\u00f4made, al\u00e9m de assumir um posicionamento alternativo ao conceito de Estado-na\u00e7\u00e3o, abre a possibilidade de manifestar tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da liberdade de transitar entre os diversos territ\u00f3rios, inclusive de conhecimentos, expressos na transdisciplinaridade da forma\u00e7\u00e3o de psic\u00f3logas(os) e marcando a presen\u00e7a das tradi\u00e7\u00f5es de conhecimentos ind\u00edgenas e quilombolas em Psicologia.<br \/>\nFinalmente, consideramos de fundamental relev\u00e2ncia, em um momento de ataque aos direitos ind\u00edgenas, que a Psicologia, por meio do Sistema Conselhos, d\u00ea visibilidade e acompanhamento aos efeitos de seus posicionamentos p\u00fablicos contra o Marco Temporal (PL490) e ofere\u00e7a apoio \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas e do Acampamento Terra Livre, importantes momentos de reuni\u00e3o e fortalecimento das lutas dos povos ind\u00edgenas em sua diversidade.<br \/>\nBuscando cultivar o Bem Viver e o Ubuntu de toda(o)s nesta T\/terra, que \u00e9 uma s\u00f3 e com a qual estamos mutuamente vinculados em nossa co-exist\u00eancia, entendemos que a Psicologia tem muito a aprender com a auto-organiza\u00e7\u00e3o e as tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e quilombolas.<\/p>\n<p>Pindorama, 10 de dezembro de 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ASSOCIA\u00c7\u00c3O N\u00d4MADE DE PSICOLOGIA IND\u00cdGENA E QUILOMBOLA DE PINDORAMA (ANPIQP) CARTA MANIFESTO Somos uma associa\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21984,"featured_media":0,"parent":827,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"class_list":["post-1407","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redeindigena.ip.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1407","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redeindigena.ip.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/redeindigena.ip.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redeindigena.ip.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21984"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redeindigena.ip.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1407"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/redeindigena.ip.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1407\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1408,"href":"https:\/\/redeindigena.ip.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1407\/revisions\/1408"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redeindigena.ip.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/827"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redeindigena.ip.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}